Artigo de Opinião: “As manifestações e a imagem do País”

Posted: Março 26, 2013 in AAUMa - TSF
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Artigo da minha autoria publicado e emitido pela TSF Madeira no dia 15 de Março de 2013

Para ouvir clique aqui: http://vimeo.com/62716111

39anos depois parece estar iminente mais uma revolução social em Portugal.

Pois é! Será que estamos prestes a assistir a uma revolução semelhante à de25 de Abril de 74?

Dados os últimos acontecimentos nota-se claramente que a contestação está na rua. Um dos sinais é a elevação do grau de segurança aos membros do governo central. Uns têm evitado mesmo sair à rua. Outro sinal, e segundo o que li no Correio da Manhã, é que o nosso Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, numa feira de produtos locais que visitava evitou provar as iguarias que os produtores apresentavam, receando que pudesse ser envenenado.

Grândola Vila Morena, tornou-se também a música do momento, sendo entoada várias vezes por dia e em diversos locais, desde que haja por perto um membro político activo do governo central.

Serão estes sinais da mudança?

São! E não há dúvidas em contrário! O povo parece estar a criar voz activa perante todas as políticas austeras que estão a ser implementadas em Portugal. Mas claramente há falhas, e que poderão ser fatais para o nosso país.

Antes de avançar na minha crónica, digo ao Caro Ouvinte que sou totalmente de acordo com a manifestação da população, pois é sinal de democracia. Mas como em tudo, há limites.

Pois é! Dou-vos o exemplo da última manifestação que reuniu mais de 1 milhão de cidadãos, no dia 2 de Março, e que foi notícia de abertura de todos os noticiários portugueses e de muitos noticiários de televisões internacionais. Foi também assunto de manchete em inúmeras publicações escritas de todo o mundo. Isto poderá ser fatal para a imagem do nosso país. Quem será o investidor que estará pronto a investir num país que só se manifesta? Quem fala destas manifestações, fala também das sucessivas greves que se assiste no nosso país.

A verdade é que o nível de austeridade a que Portugal chegou, está a se tornar insuportável para toda a classe média-baixa.

O impacto da austeridade no dia-a-dia das pessoas é totalmente identificado pelo rosto cansado e pela ausência de comparência nos diferentes estabelecimentos comerciais.

O pouco que ganhamos é direccionado para o pagamento de impostos e pagamento de contas da electricidade, gás, água, condomínio e o pouco que sobra é gasto na alimentação e pouco mais. Há falta de poder de compra em Portugal.

E claro, como refiro sempre, a base da economia é o consumo privado e o investimento. Sectores dos quais onde existem défices de medidas de incentivo.

Por outro lado creio, segundo uma perspectiva keynesiana, que estamos a focar-nos em demasia na questão dos défices e da dívida pública e esquecer a parte mais fundamental de uma economia, o Emprego.

Por isto e por muito mais, é evidente que o povo não suporte mais carga de impostos e austeridade, e como forma de protesto e de demonstração de cansaço utiliza as manifestações, um direito adquirido em democracia.

Manifestações

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